quarta-feira, 30 de março de 2011

Autorracismo.


Quem auto se discrimina não pode querer reprimir discriminação das outras pessoas.

Na boa, sem generalizar, muitas vezes os próprios renegados da sociedade procuram se renegar. Não consigo entender de forma alguma o porquê do sistema de cotas raciais. Pressupõe-se que os negros são os mais pobres, os mais incapacitados e que por isso merecem entrar em uma universidade com nota menor que a dos demais? Se isso não é estratificar, o que é?

Se quiserem sustentar a corrente de que “estatisticamente” os negros de fato são mais pobres, tudo bem. Porém, incapazes de tirar uma boa nota por conta de uma cor?

Que droga de raciocínio é esse?

Se o fundamento for essa suposição de que majoritariamente os negros fazem parte de classes sociais menos abastadas, por que então não modificar esse sistema de cotas para um mecanismo onde pobres comprovadamente tenham essas oportunidades, quaisquer que sejam suas cores de pele?

Se o sistema de cotas favorece o negro pobre de escola publica, não favorece o ruivo pobre nem o pobre branco.

O branco pobre e o ruivo pobre são menos pobres que o negro pobre pelo fato de não possuírem a mesma etnia?

Certos mecanismos sociais e políticos às vezes parecem querer proteger o discriminado discriminando-o.

Sou completamente contra o sistema de cotas RACIAIS e totalmente a favor de que este mesmo sistema fosse idealizado e concretizado em prol de toda a sociedade carente, seja branca, ruiva, preta ou amarela.

Quanto à questão do racismo, deixo bastante claro que esse tipo de comportamento é completamente inaceitável nos dias atuais, de modo que qualquer prática desta natureza deve ser punida com veemência, pois a sociedade não quer mais aturar esse tipo de ofensa. Observe que falei em OFENSA. Destarte, racismo, em minha concepção, é todo modo de tratamento pejorativo, com intenção de humilhar, baseado (como a própria semântica da palavra diz) em raça. E quando digo raça, não falo negro. Falo branco, ruivo, preto e amarelo, até mesmo judeu. Ou seja, não só negros são vitimas de racismo e sim qualquer pessoa que esteja sendo humilhada e ofendida pela sua raça.

É uma questão cultural tão controversa, tão curiosa, que fica quase impossível abordar tudo em um texto. Porém, chega a ser curioso demais o excessivo complexo de inferioridade dispensado a todo o momento aos negros. Enquanto se tratar o negro de forma diferente, de modo que este se distoe dos brancos, o fundamento absurdo do racismo irá sempre existir.

Quem recebe tratamento especial, é especial. O negro é especial? Em minha ótica, não. É tão normal e tão capaz quanto pessoas de outras cores de pele. Não acho de bom grado conviver numa sociedade com benesses desta natureza, por questão unicamente de pele. O pobre, carente é especial? SIM. Como disse anteriormente, fazer um sistema de cotas para pessoas pobres se está protegendo pessoas que não tiveram acesso à educação de qualidade e poder financeiro, em grande parte, por culpa considerável de quem nos governa. Isso pra mim é correto. Oferecer oportunidades especiais para pessoas especiais no sentido financeiro, não no sentido de raça ou cor de pele.

Fica então uma pergunta:

É correto discriminar quem não aceita ser discriminado?

4 comentários:

  1. Discriminação de forma alguma é justa.

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  3. O racismo é uma medida repressiva, e ninguém pode ofender a si mesmo ao ser vítima da ofensa. Auto racismo não faz o menor sentido. Por exemplo, seria como querer te culpar pela maneira como um empresário americano lhe veria se por acaso tivesse que escolher você e um cidadão americano para preencher uma vaga de emprego nos EUA. ;)

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    1. Auto-racismo é quando a pessoa tem preconceito contra sua própria condição ou essência, e não necessariamente contra si mesmo como indivíduo. De qualquer forma, discordo do texto porque ele desconsidera abordagens subjetivas analíticas essenciais para se pensar sobre a sociedade brasileira, já que a realidade de consequências históricas para um cidadão negro está presente em variados setores, não só dentro das instituições de ensino. O negro não se iguala ao branco em termos de oportunidade quando está na mesma condição social que ele (principalmente se for baixa), e tampouco quando tem um diploma na mão, o racismo velado tão característico da nossa nação supera tal coisa. Nos referimos a essa reflexão quando falamos de cotas como a reparação (minimamente parcial) de uma dívida histórica.

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