terça-feira, 5 de julho de 2011

A REALIDADE DA COMPRA DE UM DIPLOMA


Não é de hoje que os meus mais íntimos contatos acompanham o meu bradar demasiado em desfavor de muitas faculdades particulares, inclusive a minha. A situação do ensino jurídico no País se afundou, sobremaneira, a ponto de estampar a manchete do site da globo com o alto índice de reprovação no exame da OAB: 88,275% de reprovações no aludido. Não é difícil diagnosticar o porquê deste alto índice, chama-se, em minha opinião, “Síndrome das porteiras abertas”. Senão, vejamos.

Hoje, em um frio olhar e sem necessidade de um exame mais acurado ou olhos de lince constata-se que não existe dificuldade ALGUMA em ingressar em um curso de direito no Brasil. Observe, estou falando em curso de direito de maneira genérica. Óbvio que a dificuldade para ingresso em algumas faculdades, sobretudo as federais, continua a existir. De resto, a facilidade de acesso ao ensino jurídico “superior” é gritante. Não existem critérios abalizados, coerentes ou estratificadores, afinal, entra quem tiver dinheiro para pagar a mensalidade.

O que começa errado, claro, termina errado. Hoje existem milhões de alunos de direito pelo Brasil afora que sequer sabem escrever. Não sabem ortografia, acentuação ou pontuação; Não conhecem vocabulário e não desenvolvem sequer mesmo uma linha tênue de raciocínio lógico. Um aluno desse tipo, fatalmente jamais seria aprovado em um vestibular sério de alguma boa faculdade pública. Porém, com dinheiro no bolso, partem para as instituições privadas que, em sua avassaladora maioria, os acolhem de braços abertos.

Visa-se o lucro, óbvio.

O Brasil tem mais faculdades de Direito do que todos os países no mundo juntos. Existem 1.240 cursos superiores para a formação de advogados em território nacional enquanto no resto do planeta a soma chega a 1.100 universidades. Os números foram informados por Jefferson Kravchychyn, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Esses números alarmantes já deveriam ter sido, por si sós, capazes para obrigar o poder público a corrigir esse tipo de aberração que acaba por se tornar um atentado à carreira digna do Direito, hoje já visto como curso banalizado. O “vestibular” de ingresso que fiz para a Faculdade que estudo foi uma prova que fiz em 5 minutos. Não porque sou inteligente ou super dotado, e sim porque marquei tudo de qualquer jeito e sem ler a prova, antes de entregar. Nem nota foi divulgada. Adivinhem o resultado?

A salvação para a carreira do Direito acaba por se visualizar nas carreiras publicas, onde são realizados concursos de níveis intelectuais elevados, composto de várias etapas, capazes de, realmente, avaliar o raciocínio lógico, jurídico, gramatical e legal dos candidatos. Os concursos públicos acabam por estratificar, forçadamente e sem piedade, os bons e maus estudantes de direito. Hoje, você sair de uma faculdade de direito, sobretudo as privadas, não quer dizer nada. Os concursos e exames seletivos – atualmente incluída está a OAB – acabará por dar um triste choque de realidade aos propensos “bacharéis comprados”. Hoje não se compra o conhecimento, apesar de aulas com docentes. Compra-se o diploma, só e somente só. Em 90% das faculdades de direito irão se formar os que sabem, não sabem, que estudam e não estudam. Não são poucas as ferramentas utilizadas pelas faculdades privadas para manutenção-estímulo dos alunos no curso de Direito. Trabalhos simples com pontuações absurdas, provas em grupo, com consultas a livros doutrinários, pontos por participação ($) em congressos, entre outros “atentados ao verdadeiro saber”.

O estudo do direito requer muita leitura, raciocínio e conexões mentais. Não é pra quem quer sem buscar. É pra quem já tem ou mesmo que não tenha, busque. NÃO ADIANTA PASSAR CINCO ANOS SE ENGANANDO EM UMA GRADUAÇAO COMPRADA. O choque da vida poderá ser duro ao final de seu imenso investimento.
Esse texto não é uma crítica pessoal exclusiva aos alunos de faculdades privadas medíocres (até porque sou de uma), pelo simples fato de que existem situações peculiares de alunos desenvolvidos em faculdades medíocres por dissabores da vida. Porém, é uma crítica direta às faculdades que defecam em cima do privilégio de transmitir conhecimento – o qual deveria ser a finalidade precípua - para uma carreira bonita, além de ser direcionada, também, aos alunos que se enganam durante a graduação, por exemplo, se iludindo com uma nota 9,0 conquistada através de uma prova grupal, com consulta e trabalho de copiar e colar.

Nunca prestei vestibular para universidade pública em razão de ter trilhado caminho inverso do convencional. Antes de iniciar o curso de direito já era Servidor Público de um órgão onde bacharéis em direito e advogados em geral se matam fazendo o concurso, cancelando até mesmo a OAB para tomar posse no cargo. Antes, outras 5 aprovações em concursos públicos. Sou aluno de uma faculdade privada em razão de minha corrida contra o tempo na compra de meu diploma para a prestação de um concurso melhor, o que seria inviável na minha preparação para aprovação em um vestibular público com matérias de ensino médio as quais há mais de 8 anos não vejo. Trata-se de compra mesmo. Não me engano ou iludo. Porém, como sempre fiz, desenvolvo meu raciocínio e conhecimento com estudo, independente de esperar algo proveitoso e profícuo dos docentes que, em sua maioria, faltam, chegam atrasados e saem cedo – o que, aliás, chega a ser comemorado pela turma “Oba, vamos sair mais cedo”. Consigo minhas notas sem ganhar ponto em prova por ter dado uma caixa de chocolate ou ter ido a um congresso organizado ($) por algum professor em específico. Acredite, isso existe.

A busca incessante pelo conhecimento, permitida pela saúde mental, é uma dádiva divina que deve ser aproveitada ao máximo. A compra de seu diploma aliada à falta de estudo e de preparo te levará a um vazio tremendo ao término do curso. E pior: serás um “nada” e sem sequer uma carteirinha de estudante para pagar metade da entrada no cinema.

Vale a pena?